quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Características de um Evangélico!


Muitas pessoas procuram identificar-se como “evangélicos”. Eles podem atribuir-se a si mesmos este título? É legitimo? Quais são as marcas distintivas de um verdadeiro cristão evangélico? Como posso saber se sou um “evangélico”?
Existe muita confusão na mente das pessoas com relação ao perfil de um verdadeiro cristão, especialmente em nossos dias. Como ele é ? Será semelhante a um homem rico, poderoso? Ele valoriza diplomas, fama, fortuna? Quer sempre estar na “crista da onda”, e segue os modismos religiosos? É um homem que busca a unificação das religiões (ecumenismo)? Onde ele emprega o seu tempo? Que lugar tem a Bíblia na vida dele?
Certamente sua posição em relação a certas verdades doutrinárias é um fator preponderante na análise desse tema, mas cabe aqui também analisar sua posição em relação a certos princípios pessoais, tais como valorizar a história da Igreja, valorizar a simplicidade de vida.
O reverendo David Martin Lloyd-Jones, em seu livro “Discernindo os Tempos”, da editora PES, elabora uma lista de marcas que identificam as pessoas como sendo “evangélicas” ao longo da História da Igreja.
Creio que aquelas que podem subscrever esses itens, se não todos, pelo menos os que são claramente bíblicos, tem condição de se intitularem como sendo “evangélicos”. Fiz um pequeno comentário abaixo de cada título daquilo que eu penso sobre esse ponto (aqui alguns podem discordar de mim, mas a lista em si é atribuída ao Lloyd-Jones).
É importante lembrar que o termo “evangélico” está associado ao termo “evangelho”, por isso a principal característica do evangélico é que ele defende ardorosamente o verdadeiro evangelho (há muitas distorções hoje em dia em relação ao evangelho) pregado por Jesus.
Faça um “check-up” da sua posição como cristão e veja se você pode se incluir na lista dos homens que são chamados acertadamente de “evangélicos”, tais como Charles H. Spurgeon, Jorge Miller, A. W. Tozer, J. Edwards, J. Wesley, J.C. Ryle, D.M.Lloyd-Jones, John Calvin, John Paton, J. Piper, Lutero, Swinglio, John Bunyan, John Owen, e tantos outros, que não seria viável citar todos os seus nomes aqui.
Eis a lista de características do cristão evangélico:

Preserva o evangelho bíblico, tal como ele é:
Não aceita alterações no evangelho que facilitem a entrada das pessoas na igreja, sem se importar com a pureza da doutrina bíblica. Mantém o Evangelho como sendo o centro da atividade da Igreja, e não negocia a verdade de Deus, ainda que isso traga prejuízo para si mesmo.




Aprende da História da Igreja:
Não ignora nem olha com pouco caso para a História da Igreja ao longo dos séculos, procurando não cometer os mesmos erros do passado e visando repetir os acertos. Crê que Deus fala através da História e pode ser usada como um instrumento para ver a Deus.


Mantém pontos negativos:

Longe de ser um negativista, não nega a existência de pontos negativos, mas considera-os na sua análise e destaca-os. Não se considera “sempre certo”, e está disposto a avaliar sempre, inclusive os demais a sua volta, mesmo correndo o risco de ser considerado “um crítico”.


Nem subtrações, nem adições:

Não admite alterações “a seu bel prazer” da Palavra ou da vontade do seu Senhor. O que está dito, está dito, e o que não foi dito, não deve ser alterado, aumentado ou diminuído. Se há pontos ocultos, esses devem permanecer como sendo ocultos, e o que foi revelado com sendo para nós e nossos filhos.

Escrituras : única e plena autoridade:

Não considera outras fontes de autoridade além da Bíblia. Nem livros, nem a tradição (algo que nossos antepassados faziam e por isso deve estar certo, mesmo que não tenha nada escrito na Bíblia), nem o que disse alguma autoridade humana. Nesse sentido ele é alguém que se pergunta: “isso tem base na Bíblia?” em cada questão importante.

Escrituras : nenhum lugar à tradição:
O que é feito por tradição é algo que não precisa ser mantido, e a tradição não serve como autoridade em decisões. Ao contrário da Igreja católica, a tradição não assume lugar importante na cosmovisão da fé. Mesmo os escritos dos “pais da igreja” não são considerados como autoritativos.

Escrituras : subserviência:

Antes de defender um partido, uma denominação ou uma idéia, defende a Palavra de Deus, mesmo que isso o coloque fora do chamado “circulo eclesiástico”. Não é aferrado a denominações e não defende seu time dentro da igreja. Nesse sentido, até seus próprios pensamentos e conceitos são questionados por ele, tentando aferi-los de acordo com o padrão da Palavra de Deus.

Está sempre vigiando:
Não se engana achando que os lobos e os cruéis estão fora da sua igreja e não esquece que Satanás está ativo e age por meio de homens que negam a fé, e isso dentro do próprio seio da igreja onde ele está inserido. Lembra-se constantemente de vigiar e orar, e de Atos 20..

Desconfia da razão e da erudição:
Não crê que a pregação pode ser substituída por meros debates sobre Deus e não valoriza a ciência como sendo algo a ser combatido ou chamado para o nosso lado. Desconfia da filosofia humana dentro da Igreja, de invenções dos homens de como se deve gerir uma igreja. Não acredita que a erudição é importante , mas sim o poder que Deus confere a pregação. A humildade intelectual é algo valorizado por ele.

Assume um conceito especial das ordenanças:
Valoriza e executa as ordenanças da Ceia e do Batismo como sendo algo sério, e que confere graça as pessoas que participam dela. São ordens expressas do Senhor e que não devem ser negligenciadas.

Visão Critica da História e da Tradição:
Olha a História com um olhar critico, extraindo dela o que há de bom e o que há de ruim. Não admite que a tradição é algo suficiente em si para ser mantido na Igreja do Cordeiro. Para ele a tradição é algo que deve ser, no mínimo, questionado.

Está sempre pronto a agir com base naquilo em que acredita:
Não negocia, nem se torna conivente com algo em que não acredita, mas age baseado em sua fé. A base de sua ação é crer naquilo como sendo algo que Deus quer que ele faça e não o que os homens pensam.

Sempre simplifica tudo:
Gosta da simplicidade de vida e procura viver uma vida simples. Acredita que é um mal viver uma vida complicada, cheia de tarefas ou com muitas atividades. A simplicidade de vida aqui visa liberar tempo para viver a vida em família,a vida de oração, a vida de comunhão,e a vida de serviço cristão. Não há um padrão, mas sim uma avaliação clara visando liberar tempo para Deus. Usa essa regra na organização pessoal e da igreja local, nas questões de governo eclesiástico, de culto e atividades da igreja.

Tremenda Ênfase no Novo Nascimento:
Ao contrário de muitos, tem medo da “aderência à igreja”, quer dizer, tornar-se um religioso, de uma instituição, somente por concordar com as palavras, as regras, a forma de conduta daquela religião, sem um genuíno nascimento espiritual. Para isso toma cuidado na pregação enfatizando o “nascer de novo”, em Cristo. É uma doutrina essencial, ligada à salvação.

Grande ênfase no modo de viver:
Santidade é algo que não é desprezado. Crê que os frutos são marcas do verdadeiro cristão, e que não se pode desprezar a mandado de que “sem santificação ninguém verá o Senhor”.

Grande interesse por Avivamento:
Quando Deus age na História há marcas bem definidas. Quando isso acontece, o Espírito Santo age com poder arrasador, convertendo muitas pessoas das trevas para a luz. Esses períodos da história são chamados de avivamentos (não confunda o chamado ‘avivamento’ pentecostal com esse) e ele busca voltar a ter esse período no momento presente. Quer, deseja e busca um “tempo de refrigério pela presença do Senhor”.

A pregação é algo essencial, primordial:
Das atividades do culto, um dos momentos altos é a pregação expositiva da Palavra de Deus, com poder de Deus. Evita pregar por assuntos, porque a pregação seqüencial e expositiva, na seqüência do próprio texto, pode ajudar a evitar erros de interpretação ou de ligação com o todo da Bíblia. Não crê em só falar de Deus, mas sim no poder da pregação do Evangelho. Para ele é o método de Deus para trazer as boas novas de salvação ao mundo.

Sempre preocupado com a evangelização:
Evangelizar é uma das marcas da verdadeira igreja, porque crê que as pessoas não podem continuar indo na direção do inferno sem que ouçam a verdade salvadora de Jesus. Abdica de outras atividades da igreja para se lançar com afinco a tarefa de “ganhar almas para Cristo”.

Faz distinção entre verdades fundamentais e secundárias:
Não é um prisioneiro de verdades secundárias e não divide por isso, tais como formas de batismo, vinho ou suco de uva na ceia, governo de igreja, interpretação profética, dons e batismo do Espírito. Mas é capaz de defender as verdades fundamentais e faz delas o baluarte de sua fé.

Diz “Não” à indiferença doutrinária:
Considera a doutrina bíblica essencial e não aceita o pensamento moderno de que “doutrina é coisa para teólogos”. Considera o conhecimento de Deus algo a ser buscado como algo importante para verdadeiramente poder adorar a Deus.

Criação, não evolução:

A evolução das espécies é apenas uma teoria, mas mesmo assim não tem lugar no seio cristão quando ensinada de tal maneira que negue a criação de Deus.

A Bíblia é um todo, não uma parte:
Olha a Bíblia como um conjunto de verdades entrelaçadas. Qualquer doutrina da Bíblia encontra prova nela mesma, e explicação em outra parte. O conjunto dessas verdades forma uma doutrina e não uma parte por si só. Desconfia de doutrina apoiada em um único texto.

Crê no diabo e nos seus espíritos:
Ao contrário da maioria, crê nas atividades do diabo e nos seus espíritos. Tem consciência dos seus ardis e procura evitar ao máximo ser presa dele.

Crê na Justificação somente pela fé:
Nega fortemente a salvação por meio de obras, mas que Deus justifica o ímpio pela fé que ele tem em Jesus (fé essa que é dada por Deus, é dom de Deus). Toda a obra de salvação foi feita por Deus e o homem não é participante dela.

Não acredita em igrejas estatais:
Separa fortemente igreja de estado e não mistura política governamental com as questões da igreja. Aliás, não permite sequer a chamada “política eclesiástica”.

Crê na disciplina:
Sem disciplina ocorre a transgressão dos princípios da pureza da igreja e da santidade de seus membros. Por isso crê que é necessário corrigir o transgressor para que ele não se perca nem venha a prejudicar o Reino de Deus. Entende que é pecado “aceitar Jezabel” no seu meio.

Não acredita na sucessão apostólica:
Nem como é visto na Igreja Católica, nem em certas pessoas que se autodenominam “apóstolos”. Também não vêem como importante ser um sucessor de apóstolo, ou um seguidor de uma igreja só porque ela tem uma origem que remete aos primeiros cristãos. A verdade é a base de sua análise, não sucessão.

Rejeita a distinção entre clero e laicato:
A igreja sempre foi dominada pelo clero e estes fazem distinção entre cleros e os demais crentes. O evangélico nega fortemente essa distinção considerando todos iguais perante Deus.

Nenhuma ordenança opera por si só:
Não é o pão e o vinho que operam, nem o batismo que salva, mas é Jesus. Nem mesmo é a fé que opera por si só, mas é Deus que opera através da fé. Sempre o poder pertence a Deus, e os homens são apenas instrumentos de Deus para a sua glória e louvor.

Rejeição da doutrina da Regeneração Batismal:
Não somos salvos pelo batismo, mas o batismo é um símbolo da salvação operada interiormente pelo poder do Espírito Santo.

São essas as principais marcas de um verdadeiro evangélico, retiradas da análise da vida de grandes homens de Deus. Espero que esses pontos ajudem a fortalecer a sua posição como crente e que contribuam para que você perceba onde você está. Perceba também que “não estamos sós”, mas muita gente creu e viveu a vida dessa maneira. As escolhas são sempre suas e só você responde por elas, mas a Igreja do Cordeiro foi muito melhor e mais abençoada quando os homens foram e agiram dessa maneira. Talvez seja útil “imitar-lhes a fé”.

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